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Impetus Sistemas • 19 Dez 2025
Rumo a 2026Em 2025, as águas de março trouxeram a notícia da renovação do nosso iii, conquistada com projetos inovadores e a entrada de um maravilhoso grupo de pesquisadores que veio se juntar a nós. O ano de 2025 termina com mais de 160 publicações científicas, em sua maioria em revistas internacionais de impacto na Imunologia e a perspectiva do aniversário de 25 anos de vida do iii neste próximo ano. Faremos uma pausa nesse fim de ano, mas esperamos encontrar todos no ano que vem, aos quais enviamos os nossos votos de feliz Natal e um próspero 2026.
Impetus Sistemas • 18 Dez 2025
Premiados na virada do anoAcabando o ano... Mas, na lista dos 10 cientistas escolhidos pelo grupo Nature por fazerem a diferença em 2025 (https://www.nature.com/immersive/d41586-025-03848-1/index.html) escolhi 3 para elogiar aqui, pois todos têm conexão importante com a ciência feita no iii.Uma pesquisadora do Instituto Weizmann, em Rehovot, Israel, resolveu olhar mais de perto o que é produzido na processadora de lixo da célula, o proteassoma. Ah, só tem peptídeos nesse lixo, era o pensamento predominante da comunidade científica! A descoberta de Yifat Merbl é realmente notável, pois ela identificou uma produção importante de peptídeos gerados no interior da maquinaria do proteassoma com atividade antimicrobiana. Identificou 1000 peptídeos assim, mas há o potencial para muitos milhares mais. E mais, quando uma célula é infectada, a modificação para o imunoproteassoma, torna essa produção ainda mais eficiente, sendo assim uma das respostas mais precoces de defesa pelo organismo. Precious Matsoso, da Wits Health Consortium da Universidade de Witwatersrand, em Pretoria, África do Sul, ganhou a distinção pela sua árdua, contínua e determinada condução das negociações do tratado das pandemias da OMS. Uma lição de diplomacia num mundo fraturado. E, finalmente, Luciano Moreira, engenheiro agrônomo da Fiocruz, radicado em Curitiba, ganhou notoriedade com a sua fábrica de Aedes aegyptii infectados com a bactéria Wolbachia. Com uma produção semanal de 80 milhões de ovos, os resultados já obtidos são impressionantes. Em Niterói a incidência de dengue caiu 89% e as prefeituras estão fazendo fila para ganhar o seu quinhão desses mosquitinhos, os wolbitos. Estes, infectados, passam a ser resistentes ao vírus da dengue, Chikungunya e outros arbovírus, ao mesmo tempo pondo ovos infectados e aos poucos eliminando a eficiência da transmissão da doença.
Impetus Sistemas • 11 Dez 2025
Luiz Vicente Rizzo, membro do iii, relata como foi a sua participação no evento organizado pelo Google: IA para a Ciência BrasileiraConfira a publicação original: https://www.linkedin.com/posts/luiz-vicente-rizzo-449b8a6_euvejoomundoatravesdaciencia-einsteinpesquisa-activity-7401998335030730752-LHe9?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAC9jDU0Bda9QzWko20S2jyx8XJl-OA8XRpY
Impetus Sistemas • 09 Dez 2025
Dengue: Como nasce uma VacinaO Brasil acaba de alcançar um marco histórico na saúde pública: o Instituto Butantan desenvolveu e produziu a primeira vacina de dose única contra a dengue. O imunizante protege contra os quatro sorotipos virais e recebeu, recentemente, aprovação da Anvisa para uso em humanos.Essa conquista representa um avanço significativo da ciência e da tecnologia brasileiras, oferecendo solução para um problema global, particularmente crítico no país, que registrou mais de 6 milhões de casos de dengue em 2024.A trajetória do projeto teve início em 2010, quando o Instituto Nacional de Saúde americano (NIH) disponibilizou os vírus atenuados dos 4 soro tipos a pedido do professor Isaias Raw. Em 2011, quando o professor Jorge Kalil assumiu a direção do Instituto Butantan, deu início ao desenvolvimento do produto nacional contra a doença. Iniciou-se, então, o complexo desenvolvimento industrial: cultivo das cepas virais enfraquecidas em larga escala, estabilização, purificação e liofilização.Em seguida, vieram os estudos clínicos de fase 2 e 3. A fase 2 foi conduzida integralmente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP no Serviço de Imunologia Clínica e Alergia, dirigido pelo professor Jorge Kalil. Este ensaio apresentou excelentes resultados com apenas uma dose – tanto em indivíduos que já tinham sofrido com a doença quanto naqueles que nunca haviam se infectado.A fase 3, iniciada também no HC, em evento que contou com a presença da Presidência da República e diversas autoridades, envolveu 17 centros de pesquisa universitária em vários estados brasileiros.Ainda em 2016 foi finalizada a primeira unidade fabril para produzir a vacina. No ano seguinte, o professor Kalil deixou a direção do Instituto Butantan e o ensaio clínico de fase 3 continuou nos diversos centros de pesquisa.O professor Esper Kallas assumiu a direção do Instituto em 2023 com o novo governo do Estado de São Paulo. Ele providenciou a análise dos resultados, publicações e submissão para a aprovação na vacina para uso humano. Com a aprovação da Anvisa, o Instituto Butantan informa que o imunizante será disponibilizado no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 2026. Ele será oferecido para pessoas entre 12 e 59 anos e apresentou eficácia de aproximadamente 80% para dengue sintomática, 90% para formas graves e 100% na prevenção de hospitalizações.Uma dúvida frequente diz respeito ao limite de idade para aplicação. Isso ocorre porque os estudos clínicos seguem uma progressão para minimizar riscos: começam com adultos, depois avançam para adolescentes, em seguida crianças e, por fim, idosos. Como essa última etapa ainda não foi realizada, o Instituto Butantan deverá conduzir esses estudos futuramente.Parabenizamos todos os profissionais envolvidos por tornar esse grande avanço científico uma realidade!Confira o vídeo:
Impetus Sistemas • 28 Nov 2025
Vacina para dengue em dose única desenvolvida no Brasil. Kalil conta como foi o desenvolvimento desta vacina que durou mais de quinze anosVacina para dengue em dose única desenvolvida no Brasil. Kalil conta como foi o desenvolvimento desta vacina que durou mais de quinze anosO professor Jorge Kalil é conhecido por suas pesquisas na área da Imunologia e pelo seu empenho na formulação de vacinas inovadoras. Em 2011 assumiu a direção do Instituto Butantan e foi nessa época que os primeiros passos no desenvolvimento de uma vacina nacional contra dengue foram tomados. Em 2011 os vírus atenuados dos 4 sorotipos já estavam disponíveis, recebidos do NIH americano após pedido feito pelo professor Isaias Raw, mas faltava todo o desenvolvimento de uma fórmula vacinal, que passa por muitas etapas de desenvolvimento industrial: crescimento do vírus atenuado em larga escala, estabilização, purificação e liofilização do produto, além dos testes pré-clínicos de praxe. Tudo isso, para, ao final, passar pelas fases clínicas de fase 2 e 3. A fase 2 foi integralmente feita no Hospital das Clínicas, no Serviço vinculado à Disciplina de Imunologia Clínica e Alergia da Faculdade de Medicina da USP, mostrando excelentes resultados com uso de uma única dose. A fase 3 começou no próprio Hospital das Clínicas, em 2016, com 17 centros participantes e ao ser finalizada, já na gestão do novo diretor, foi agora aprovada e estará disponível a partir de 2026. Para mais detalhes sobre a eficácia desta vacina veja a matéria publicada pela SBI e os links para o Instituto Butantan e FAPESP. Damos os nosso parabéns a todos os envolvidos, que tornaram esse sonho uma realidade!Materia publicada pela SBI: https://sbi.org.br/noticia/anvisa-aprova-butantan-dv-primeira-vacina-de-dose-unica-contra-dengue-no-mundo/Instituto Butantan: https://butantan.gov.brFAPESP: https://fapesp.brConfira o vídeo: https://www.instagram.com/p/DRnLMjRDrBW/
Impetus Sistemas • 19 Nov 2025
Fatos não são boatos #2 - As vacinas de RNA causam efeitos adversos graves?Á medida que a guerra de narrativas sobre as vacinas, e, em especial as vacinas contra a Covid-19 avançam, fica cada vez mais difícil discernir fatos de boatos. Trago aqui nessa segunda postagem da série, a discussão sobre os alertas de efeitos adversos das vacinas de RNA contra a Covid-19, que são na verdade muito raros (1 a 5/100.000).Tenho seguido o blog do TrialSiteNews que tem um sistema de escores de ensaios clínicos bem interessante (https://www.trialsitenews.com/). Novamente, nunca deve haver uma única fonte de informação, mas é um bom ponto de partida.________________________________________________________________________________Pois bem, algumas últimas postagens recentes tentam detalhar evidências pró e contra a presença de efeitos adversos especiais (graves) após a vacinação, a saber: miocardite, pericardite, trombose do seio venoso cerebral, encefalomielite disseminada aguda e síndrome de Guillain-Barré, entre outros. Os dados de monitoramento (farmacovigilância) de Faksova K. et al. feita por um grupo de pesquisadores de 8 países diferentes, incluindo Dinamarca, Austrália, Canadá, Argentina e França (https://doi.org/10.1016/j.vaccine.2024.01.100), confirma a existência desses eventos adversos, mas confirma-os como extremamente raros. Na análise agregada dos 99 milhões de vacinados incluídos no estudo, luzes vermelhas (valor mínimo do intervalo de confiança acima de 1.5) acendem apenas para síndrome de Guillain-Barré e trombose do seio venoso com a vacina ChadOx1 e encefalomielite para a RNA 1273. ____________________________________________________________________________A postagem mais impactante vem da Dinamarca onde ativistas (Anette Friedrichsen) se queixam da enorme dificuldade de obter tratamento para esses indivíduos, já que dentro do sistema de saúde pública dinamarquês não há critérios diagnósticos claros para esses efeitos adversos graves após vacinação. E, muitas vezes, os sintomas não são tão claros. É interessante ler a matéria que busca esclarecer (https://www.trialsitenews.com/a/its-like-hitting-a-wall-a-danish-activist-speaks-out-on-vaccine-injury-silence-1fd55190) por que um sistema tão bem montado falha com esses pacientes: uma lição importante para gestores de saúde. Uma pimentinha adicional nessa discussão vem, de novo, da Dinamarca, onde Ritzau e colaboradores concluíram, após 4 anos de um estudo patrocinado por dinheiro dos contribuintes, que custou milhares de coroas dinamarquesas, que os sintomas relatados (geralmente leves) se devem, em parte, a efeito “nocebo”, ou seja, os eventos adversos seriam causados por efeito psicológico levando a sintomas reais (https://www.trialsitenews.com/a/worry-over-covid-19-vaccines-denmarks-nocebo-study-sparks-backlashand-rightly-so-88e96da6). Imaginem só a confusão que deu! __________________________________________________________________________Neste assunto vale ainda ler as matérias sobre a contaminação da vacina de RNA da Pfizer com DNA residual que supostamente seriam as causas do aumento de casos de câncer e outros efeitos adversos graves. A postagem no Global Vaccine Data Network (Plasmid-gate: Debunking the DNA contamination claims in mRNA vaccines) e o blog - VAERS and plasmid DNA “contamination” of COVID-19 vaccines: The nonsense continues (https://www.respectfulinsolence.com/) são emblemáticos. Finalmente, o artigo de Igyártó & Qin (doi: 10.3389/fimmu.2024.1336906) elabora sobre mecanismos inflamatórios relacionados ao uso das nanopartículas na formulação das vacinas de RNA que poderiam explicar esses efeitos adversos, mas não traz dados concretos. Consultei vários artigos adicionais que não foram capazes de jogar uma luz no assunto pois relatam apenas efeitos adversos leves e transitórios. Por fim, as empresas e as agências regulatórias (OMS e FDA, por exemplo) reforçam que testes de segurança são executados com toda a qualidade e seriedade que o assunto exige, mas na bula da Pfizer, por exemplo, aparecem como raros e graves apenas a pericardite, a miocardite e a paralisia facial aguda. _______________________________________________________________________________É importante lembrar que há um problema de causalidade inerente ao fato dos efeitos adversos graves serem raros, necessitando de evidências fortes para comprovar a relação com o ato de vacinação. Por fim, um ponto de atenção: a desconfiança do público perante a ausência de reconhecimento de um grupo específico de pessoas doentes, mesmo que pequeno, é ampliado enormemente nas redes sociais e contamina todo o sistema, pondo em xeque inclusive as novas vacinas que estão sendo desenvolvidas. E, a epidemiologia não deixa dúvidas como a vacinação da população é fortemente benéfica em relação aos riscos.Façam suas apostas: Há ou não há efeito adversos grave causado por vacinas contra a Covid-19?Texto elaborado por Anna Carla Goldberg, consultora em integridade científica e qualidade da pesquisa (@goldbergconsultoria)