Nesta postagem, quatro notícias que podem ter escapado na enxurrada diária de informações.
- Indo FUNDO
Notícia de mais um criativo “modus operandi”. Pesquisadores usam o AlphaGenome em reuniões de “brainstorming” (que no iii ganhou o apelido carinhoso, por Manoel Barral-Netto, de toró de ideias). A terceira - Undiagnosed Hackathon – ocorreu, na Clínica Mayo, nos Estados Unidos, para tentar destrinchar as variantes gênicas por trás de 29 doenças raras (How DeepMind’s genome AI could help solve rare-disease mysteries). O AlphaGenome, disponível desde 2025, pode predizer os possíveis efeitos de mutações nas regiões não codificadoras, vizinhas ou próximas aos genes. Estes hackathons são financiados pela Wilhelm Foundation, uma organização sueca voltada para o financiamento de estudos em doenças raras, mantido por um casal que perdeu 3 dos seus 4 filhos por doença rara não diagnosticada! Das 29 doenças abordadas na ocasião, 6 foram diagnosticadas com mais estudos, e mais duas tem resultados promissores. Eric Klee, um dos 100 pesquisadores envolvidos, conta mais detalhes. Em tempo, o quarto Hackaton teve lugar, de 3 a 5 de fevereiro de 2026, em Hyderabad na India. Quem se habilita para o próximo?
- Patrulhando as BORDAS
Esta publicação na Nature Immunology chamou a atenção por diversos motivos. Primeiramente porque levou quase um ano para finalmente ser publicado. Só posso imaginar quantas viagens entre autores, revisores e editores esse artigo fez. Segundo, porque apresenta uma abordagem metodológica robusta, mas hoje em dia quase rotineira (sequenciamento de célula única aliada à determinação do repertório de células T e citometria de fluxo de última geração), mas olhando a quase inexplorada área das leptomeninges, as camadas que circundam o cérebro entre a calota craniana e o cérebro propriamente dito. Ryan Hobson e colaboradores (https://doi.org/10.1038/s41590-025-02401-6) analisaram 99,625 células imunes de boa qualidade de 57 leptomeninges e amostras de cérebro de doadores com doença de Alzheimer, esclerose lateral amiotrófica e doença de Parkinson. Nos dois primeiros casos, os autores descrevem clones expandidos de células T CD8+ de memória residentes, muitos dos quais voltados para epitopos presentes em citomegalovírus e influenza A. O que será que estes clones T CD8+ estão fazendo lá, nessa camada externa que envolve o cérebro? Nesse novo nicho imune, o que reconhecem: patógenos, autoantígenos ou outro estímulo? O editorial é encontrado em https://www.nature.com/articles/s41590-025-02404-3.
- Tudo em CIMA
Notícia na Nature (https://www.nature.com/articles/d41586-026-00007-y) dá conta do novo, e gigante, atlas chines da resposta imune, multi-ômico com dados de genes, proteínas, RNA e epigenoma (Chinese Immune Multi-Omics Atlas (CIMA)). Jianhua Yin e seus colegas do Shanxi MedicalUniversity–BGI Collaborative Center for Future Medicine mostram que o perfil dos 428 chineses saudáveis que tiveram, cada um, 10 milhões de células imunes estudados, difere em pontos significativos dos dados obtidos em estudos no Japão e na Europa, abrindo caminho para estudos comparativos, novas variantes genéticas de resistência ou vulnerabilidade, e mais. A conferir em (https://www.science.org/doi/10.1126/science.adt3130).
- No ar!
A Agnos Bioscience (uma organização financiada pelo Conselho de Pesquisas em Biotecnologia e Ciências Biológicas britânico (BBSRC) acaba de lançar o seu AirSeq, uma gracinha de máquina de sequenciamento rápido de DNA de amostras coletadas no ar. Dá para pensar em saúde pública, detecção de patógenos em campo e muito mais. Mais detalhes em https://www.ukri.org/news/bbsrc-backed-spin-out-launches-rapid-dna-air-sequencing-technology/.