Impetus Sistemas

30 Jan 2026

Quo vadis xenotransplante?

Imunologia

Uma recente publicação por um grande time colaborativo de pesquisadores brasileiros e americanos, capitaneado por Leonardo Riella, traz respostas interessantes para as questões que envolvem o xenotransplante (https://www.nature.com/articles/s41591-025-04053-3). Neste estudo, um paciente com doença renal crônica terminal recebeu um rim de porco. Não um porco qualquer, mas um com três genes para glicosilação nocauteados (3KO), retrovírus porcinos inativados, além de portarem 7 genes humanos, todos ligados ao controle de respostas anticoagulação e anti-inflamatórias em nível celular. O paciente viveu 51 dias e morreu por outra causa. As amostras foram coletadas antes, durante um episódio de rejeição aguda mediada por linfócitos T e depois da estabilização do paciente e do órgão transplantado. A extensa e sofisticada análise do transcritoma e proteoma sanguíneos, o sequenciamento do RNA (single cell) das células imunes periféricas, a comparação de biópsias do xenotransplante com as de transplante de rim humano e do rim porcino contralateral, e análises do DNA livre circulante (porcino e humano), entre outras técnicas utilizadas, apresentam um detalhamento primoroso da evolução do xenotransplante em um paciente humano. Resumidamente, os resultados mostram a ausência de anticorpos e a supressão da resposta adaptativa contra o órgão (condição criada pelo regime de imunossupressão), mas a manutenção da resposta inata inflamatória mediada por macrófagos que aponta para um importante caminho a ser seguido na busca de tornar o xenotransplante viável clinicamente. Um estudo usando o grande arsenal de técnicas da Biologia de Sistemas que vale muito a pena ser lido.